domingo, dezembro 03, 2006

Às Mangueiras de Belém

Túneis de mangueiras ao redor da praça da república - Belém do Pará

Do útero da cidade envelhecida ergam-se, poderosas mães verdes, e derramem sobre os filhos de Belém as lágrimas doces de sua vontade de viver.
Nos túneis construídos pelos homens, árvores reinam soberanas, acima de toda vontade do homem de se fazer asfalto sobre a terra.
Da terra vem o perdão da natureza a essa cidade pecadora.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Há Outros Mundos 2

Um mês depois chega a minha próxima crónica, desta vez subordinada a um tema (foi a professora que escolheu). Um pouco mais da minha cidade!

Um olhar sobre o Colégio do Espírito Santo

O Colégio do Espírito Santo faz parte da vida da nossa cidade. É um testemunho, mais um, da antiguidade da nossa cidade. Um marco, um pedaço de história. Um local onde, tantas vezes, a história foi escrita e rescrita.

Dos tempos de liceu, aos tempos de Universidade, voltando a ser frequentado por alunos de liceu, ficando sobre o jugo de um poder ditatorial, de tudo um pouco se viveu por lá.

Quem passeia nos seus claustros, quem entra nas suas salas cheias de quadros de ilustres, que sem senta nos seus cadeirões, quem o faz, respira o ar da antiguidade, o ar do imponente e majestoso passar de anos, esses sentem o peso dos anos, o peso e a marca da história, contada com garra, sentida em cada pedra.

Ser aluno ali, naquele local histórico é ser um privilegiado, é aguentar o frio sabendo que muitos outros já o aguentaram. É ver as suas aulas interrompidas só porque alguém de máquina fotográfica em punho resolve ficar com uma pequena recordação de tão belo edifício. É celebrar o final dos seus estudos, tomando um banho na fonte dos Claustros. É sentir que se faz parte. É sentir-se também ele parte da história.

É estar em casa e ver o “nosso” espaço na televisão. É estar noutro país e ouvir alguém dizer-nos que a nossa cidade é linda, que o “nosso” espaço faz toda a diferença, que o sítio velho, para uns, é antigo e histórico!

Esta cidade é um monumento só. É um grande pedaço de história, com o qual convivemos diariamente, com o qual aprendemos a viver, mas… será que aprendemos a apreciá-lo? Quem tem fotografias da cidade onde vive? Quem passeia e visita os ditos locais de interesse da cidade? Limitamo-nos a viver cá, sem apreciarmos a cidade, sem apreciarmos o estado dos monumentos, sem olhar para eles, mas a olhá-los, a ver os pormenores.

Por isso, quando temos aulas, quando estamos num sítio histórico como o Colégio do Espírito Santo, apreciemos o que temos, a beleza do local. Pensemos em como conseguiremos mostrar quão belo é o que nos rodeia!


quinta-feira, outubro 26, 2006

Há outros mundos

Há outros mundos vai se uma coluna que a minha turma vai ter no Jornal da minha cidade. Como acho que o título da coluna se adequa ao Sotaques e como ainda não criámos o Blog, deixo-vos aqui a minha primeira crónica.

Há outros mundos que entram nos nossos sonhos. Outros mundos que nos parecem tão longínquos que afinal só estão a pouco tempo de distância. O meu sonho tinha uma cidade. O meu sonho tinha a cidade.
Há imagens que se colam à nossa mente com uma insistência tão grande, que passado algum tempo passamos a senti-las como verdadeiras, como reais, como se tivessem sempre feito parte de nós. Para mim era assim. Berlim é parte de mim.
Viver perto da cidade, tocar, sentir, cheirar, produzia felicidade em mim. Sentia-me bem, sentia-me completa. Apesar de saber que não era lá que pertencia, era mesmo lá que estava bem. Sei que o meu lugar é aqui. Aqui estou em casa. Mas lá era onde sem sentia bem enquanto estava longe de casa.
Tocar nos edifícios que apenas conhecia por fotografia, passear pelas ruas, ver a diversidade que me rodeava, de pessoas, de cheiros, de ambientes. Ver que os alemães são sisudos, mas atenciosos. Sentir preocupação quando vêem alguém que “arranha” a língua e se prestam a ajudá-la. Sentir o seu olhar de orgulho quando nos vêem fazer algo bem feito, nem que seja à décima quinta tentativa. Saber que eles estão ali, apenas a dois passos, para nos ajudar.
Ver como foi a cidade massacrada e destruída e ver os símbolos… Tudo e muito mais chama por mim, para aquele local. Tocar a Gedächtniskirche, fotografar os 800mt que restaram do muro, sentir-me cosmopolita na Postdamerplatz, ir lanchar, à portuguesa, ao Europa Center, ver o KaDeWe e tocar um casaco tão caro como um carro, mais caro que o meu carro actual, ver a Kurfürstendamm decorada para o Natal como se de uma feira se tratasse, aliás, a feira estava lá! Com tudo o que lhe era devido.
Andar na nova cúpula do Reichstag é algo de diferente, é ter sentimentos contraditórios, ou se ama ou se odeia, estar na cúpula de vidro e ver pedra por todo o lado, ler a inscrição “Dem Deutschen Volke” e pensar que foi durante a I Guerra Mundial que o Imperador Wilhelm II a mandou colocar, pensar que toda a Alemanha tremeu quando se soube que o seu Reichstag estava a arder em 1933. Depois continuou em ruínas, sem o seu uso pleno. Até que em 1999 é novamente inaugurado com uma cúpula toda em vidro de onde se pode ver as reuniões do Parlamento e a cidade de Berlim.
Fazer a Unter den Linden faz pensar que se está num mundo à parte. Num mundo que só se vê na televisão.
O novo e o antigo… as obras e as surpresas depois das obras… as pessoas… as lojas… as casas… a arquitectura… a descontracção… os sorrisos… as memórias.
De tudo o que me resta, resta-me um sonho final. Tocar, ver ao vivo as Portas de Bradenburgo, que, por motivos de limpeza e restauro, se encontravam tapadas.

O sonho persiste. A cidade, essa é a mesma.

terça-feira, outubro 24, 2006

PodCast

Desta vez eu consegui arrumar!
É só clicar no Play macaco!

Listen Now:









Legal!
Aqui no Sotaques está funcionando!
Mas parece que nem aqui tá funcionando legal! Então dá pra pegar o audio daqui do meu Multiply!!
Este é o exemplo de PodCast que eu tinha prometido!
Espero que vocês gostem!
Ou no Máximo... Não! :P

terça-feira, outubro 17, 2006

Esperando seus comentários

Acho que é isso que acontece com quem escreve!

Espera que as pessoas visitem e comentem....

domingo, outubro 08, 2006

O Círio em cada um de nós

Esquina das Avenidas Presidente Vargas e Castilho França, no domingo do Círio

Belém fica linda na época do Círio... As cores, os sons, os movimentos dessa cidade na beira da baía do Guajará.
O que eu mais gosto de observar é como o Círio afeta a vida das pessoas. As famílias se encontrando, os paraenses que estão fora voltando para cá quando podem... Gosto de ver a cidade como fica nos dias anteriores à procissão, o movimento de pessoas chegando aos portos, rodoviária e aeroporto, trazendo saudades e alegrias a essa cidade.
Minha família é extremamente católica. Durante muitos anos, em todo Círio, meu pai, meu irmão e eu acompanhávamos o Círio das ruas paralelas, enquanto minha mãe ia na procissão. Lembro que, quando éramos crianças, meu pai sempre comprava para nós barquinhos de miriti para brincarmos na piscina de plástico que ele tinha montado no nosso quintal desde a manhã anterior.
Lembro da beleza da Procissão do Círio. Como isso mexe com as pessoas. Lembro que me fascinava, quando criança, os vendedores de brinquedos de miriti, de fitas coloridas, o papel picado caindo dos prédios, os fogos, as homenagens dos diversos órgãos da Avenida Presidente Vargas, dos leques de papelão com bonitas ilustrações e com a letra do “Vós sois o Lírio Mimoso” atrás. Eu e meu irmão fazíamos coleção deles.
Lembro da mesa farta e de um ano em que muitos parentes de meu pai vieram almoçar aqui em casa. E que dia alegre foi aquele! Lembro de outro Círio em que se encontraram os parentes de minha mãe, inclusive a matriarca da família, minha bisavó, que veio do interior de Abaetetuba. Nosso ultimo encontro foi nesse Círio, uma vez que ela morreu meses depois.
Penso nos paraenses que conheço que moram fora do Pará. Penso nos meus amigos que estão fazendo mestrado e doutorado no sul do Brasil ou na Europa. Penso na mãe da minha namorada em Manaus. Penso nas histórias que meus professores contam da época em que moravam até mesmo fora do país e nas saudades aterradoras de outubro. Penso em mim mesmo daqui a algum tempo que, penso eu, também vou morar fora do Pará.
Eu sei que onde houver um paraense há um rio de gente, passando das ruas de Belém para o coração dessa pessoa, lembrando a ela de todas as coisas que ela viveu durante o Círio. Um rio de gente trazendo as lembranças de um Pará que está longe e mais perto do que nunca. E isso independe de religião e crença. Um rio que atende a católicos, evangélicos, ateus, o que for. Um rio do Pará, rio de pessoas, a acalentar os paraenses que estão longe. E que sei que vai confortar a mim também.
E um feliz Círio para todos nós.

sábado, outubro 07, 2006

? ? ? ? ?

Já aconteceu de você se sentir ofendido por alguma coisa que alguém te fez, só que você simplesmente não consegue expressar em palavras exatamente o que foi ofensivo naquele ato, naquela atitude?
Já aconteceu de você ter convicção de que está com a razão, só que você não consegue explicar nem pra você mesmo os motivos de toda essa certeza?
Já aconteceu de você achar toda uma determinada situação extremamente enervante, só que você não consegue identificar o que te deixa assim tão alterado?
Já aconteceu de você querer que tudo fosse completamente diferente, só que você não tem idéia de como poderia ser melhor do que, de fato, é?
Já aconteceu de você ver que não tem saída fácil e indolor, só que você se questiona o porquê de estar cogitando a rota de fuga, pois, na verdade, onde você está é confortável, seguro e bom?

quinta-feira, setembro 28, 2006

A minha homenagem à Patrícia...







Penso em ti. Busco nas tuas acções o carinho de que preciso, de que tenho sede e fome. Lembro os teus olhos, doces da cor do café, recordo o calor do teu corpo, da tua voz...

Tenho saudades... saudades do toque meigo da tua boca sobre a minha face, saudades dos teus cabelos macios que penteio com os dedos bem devagar, para te sentir plenamente, totalmente...
Finjo rir para que as lágrimas não caiam... é difícil sorrir quando a vontade que tenho é de chorar, para explusar a dor que guardo cá dentro. Guardo-a silenciosamente, sem a mostrar, com receio de te perder. Pois se tu és dor, lágrimas, solidão, és também sol e céu, és o mar a lamber a areia, és a estrela que fixo no escuro Universo. És vida que me percorre, faca que me corta, sangue que me dá vigor... és Amor que magoa sem doer.

Patrícia Dias Alves, in Poiesis vol. III

terça-feira, setembro 26, 2006

PodCast ?!?

Olha gostaria de propor uma coisa nova...

O que vocês achariam de um PodCast aqui.. No Sotaques?!?

Podcasting é uma forma de publicação de programas de áudio, vídeo e/ou fotos pela Internet que permite aos utilizadores acompanhar a sua atualização.

Funciona da seguinte maneira:

Os programas ou arquivos, gravados em qualquer formato digital (MP3, AAC e OGG são os mais utilizados nos podcasts de áudio), ficam armazenados num servidor na internet. Por meio do feed RSS, que funciona como um índice atualizável dos arquivos disponíveis, novos programas de áudio, vídeo ou fotos são automaticamente puxados para o leitor através de um agregador, um programa ou página da internet que verifica os diversos feeds adicionados, reconhece os novos arquivos e os puxa de maneira automática para a máquina. Os arquivos podem ainda ser transferidos para leitores portáteis.

Minha ideia é:

Podíamos usando programas como o Skipe nos unir e faz um teste, combinar um dia que desse para todos e Conversar como tema do primeiro “O Sotaque”... (Super original minha idéia...).

Isso seria um teste... Se nós gostássemos poderíamos marcar de, por exemplo, uma vez por mês nos unirmos para discutir/comentar um tema.

Eu acho que seria interessante pelo menos fazermos este teste...

Estes são exemplos de PosCast legais da net:

JovemNerd

BrainStorm 9.

sábado, setembro 23, 2006

Blogueiro precisando de ajuda

Pessoal,

Aconteceu uma coisa bem chata com um amigo meu, o Brincher.

Gastar as economias de anos para comprar um terreno e construir um Brechó + loja de móveis.

Criar clientela.

Suar pra caramba pra levar a vida adiante sem dólar na cueca nem outro tipo de "ajuda", nada vindo de mão beijada.

Na vida da gente a gente sua, chora, ri e se esforça, mas o inesperado acontece.

E o inesperado aconteceu, de um jeito até mesmo agressivo.

Um incêndio destruiu toda a construção e os materiais de venda [roupa e móveis] foram COMPLETAMENTE PERDIDOS.

Ainda bem que ninguém se machucou, e os prejuízos foram apenas materiais.

Mas as coisas materiais fazem falta! E fazem mais falta ainda quando se trata do sustento de uma família empreendedora.

Então, vamos ao que interessa: eles precisam de cerca de quatro mil. O pessoal da UFSC fez uma rifa que vendeu bem, conseguiram 700 reais. Tem também uma ONG de Floripa ajudando. Mas reconstrução é uma coisa complicada e CARA.

Minha sugestão, simples: todo mundo deposita três reais na conta da mãe dele. Não vai deixar ninguém pobre, e nós somos tantos.

Então, clique AQUI pra entrar no blog do Brincher[pronuncia-se Brínker]. Vai aparecer uma página de redirecionamento do servidor. Clique no botãozinho sem medo, ou aguarde quinze segundos sem quebrar o monitor, leia o blog dele e deixe sua mensagem de apoio nos comentários.

Depois disso,SE PUDER E QUISER, CLARO, faça seu depósito na conta indicada.
Sério gente, três reais é a minha sugestão. Menos que um prato feito.
Se você quiser arredondar, deposita cinco. Ou dez. Ou vinte. Ou dezenove. Ou o que der.

Qualquer ajuda é ajuda.