segunda-feira, março 27, 2006

Impotência.

Taí algo que acho muito difícil de digerir: o sentimento de impotência. Não gosto de situações em que sou obrigada a reconhecer que nada posso fazer. Isso é terrível para mim. Quero, pelo menos, tentar alguma coisa! Mas, nem sempre isso é possível. Nem sempre isso é aconselhável. E essa sensação de "mãos atadas" não me é fácil.
Quer ver uma hipótese que sempre me deixa perplexa? Quando um filho meu está doente. É claro que há várias coisas que se pode fazer nessa situação: levar ao médico, medicar da forma prescrita, fazer os exames pedidos. Mas, e depois? Você já fez tudo o que podia e devia, só que a doença não cede. Você se sente impotente. Aquela criaturinha tão frágil, tão indefesa, está ali sofrendo e você não pode fazer mais nada a não ser esperar que o organismo reaja bem, reaja da forma esperada. Ah, isso é horrível!
Uma vez, meu filho mais velho levou um tombo e machucou o fêmur. O primeiro ortopedista que consultei disse que o único tratamento era cirúrgico. Meu Deus! Um menino de nove anos fazendo cirurgia no fêmur! Fiquei apavorada. É claro que procurei outros médicos. Só que, de uma consulta para outra, o que podia eu fazer? Nada... só esperar. Lembro de ir ao quarto de meu filho, depois dele já ter dormido, sentar na beira de sua cama e chorar, chorar e chorar. Eu estava impotente... Eu estava com as mãos atadas... E esse sentimento era muito difícil de suportar.
Tenho essa sensação de impotência, também, quando tenho que enfrentar problemas causados por atos de outras pessoas próximas. Por exemplo, quando eu tinha 13 anos, meu pai resolveu sair de casa e ir morar com outra mulher. Caraca! Isso significou uma mudança tão radical na minha vida - mudei de endereço, mudei de escola, a falta de dinheiro se tornou absurda, minha mãe teve que começar a trabalhar fora - e eu não podia fazer nada. Me lembro de chorar, à noite, não só pela tristeza de ter a família dividida, mas de raiva pela impotência diante do acontecido. Ai, minha boca chegava a amargar.
Bom, o certo é que sou mesmo centralizadora. Quero saber que tenho o domínio da situação, que tenho o domínio da minha vida. Imprevistos, no geral, me deixam um tanto quanto mal humorada. Mas, se tenho como lidar com eles ótimo. Agora, me ver impotente diante de alguma coisa... hum... é detestável!

sábado, março 18, 2006

Arrogância

do Lat. arrogantia
s. f., orgulho;
soberba;
altivez;
presunção;
insolência;
audácia.

É uma palavra complicada essa. Com toda certeza conhecemos alguém arrogante, mas será que conseguimos observar isso em nós mesmos?
Não que isso faça parte de nossa natureza o tempo todo (ok, de alguns parece fazer), mas temos nossos lapsos. Um momento de vaidade exacerbada, uma demonstração de conhecimento um pouco mais que necessária, enfim, coisas que podem acontecer sem que percebamos.
Enquanto escrevia pensei em usar a palavra vítima: "somos vítimas de tal coisa..."
Mas não. Não somos vítimas. Muito longe disso.
Creio que a arrogância se manifesta quando há conhecimento sem discernimento e humildade. E também quando nos encontramos em determinada situação de poder, o tal "estar por cima da carne seca".
Todos conhecem a velha frase:
- Você sabe com quem está falando?

Pois é...

Ficamos deslumbrados com nós mesmos, como Narciso diante do lago.
A arrogância e vaidade são irmãs.

E todo mundo sabe como termina essa história.

terça-feira, março 14, 2006

Indiferença

Eu poderia falar sobre trocentos sentimentos, mas escolho a indiferença porque é o que mais me aflige no momento.
De acordo com o dicionánio, indiferença significa: 1. Qualidade de indiferente (dã!). 2. Desatenção, frieza. 3. Desinteresse, negligência, apatia.
Penso que nos tornamos indiferentes a certas coisas devido a nossa grande impotência em lidar com situações. Isso acontece muito na minha profissão. O biólogo se mata de estudar, de fazer pesquisa, de ensinar como o Meio Ambiente deve ser utilizado, e alerta sobre o futuro, e alerta... e nada parece mudar. Sempre vem o poder público, o cidadão comum (até mesmo os nossos familiares), e fazem tudo exatamente diferente daquilo que foi dito e estudado. Esse desrespeito ao nosso trabalho faz com que nos tornemos apáticos, desinteressados, desestimulados, apolíticos e negligentes com os problemas que acontecem. Inclusive começamos a tomar atitudes que beiram o egoísmo. Ora! Querem detonar tudo!? Acabar com água!? Fiquem à vontade, pois não estarei viva para ver o estrago depois. Que se danem os nossos descendentes!!!*
Agora o aspecto mais dolorido que é a desatenção e frieza. É fato que todos nós gostamos de receber atenção. E quanto mais, melhor. E na hora de dá-la? Como que fica? Geralmente encontramos um desequilíbrio nessa balança sentimental porque sempre achamos que damos a mais. E quando somos cobrados por agirmos com indiferença, sempre damos razão a nós mesmos e justificamos que foi dada a atenção suficiente. E, mais uma vez, tornamo-nos egoístas porque não há a reciprocidade.
Mas, pode a indiferença ser inconsciente? Um puro e simples desligamento que interpretamos como falta de afeto, até? São perguntas que não consigo responder.
Por isso me dôo, cerco, cuido, assisto. Infelizmente desequilibro com algumas pessoas. Será que exagero? Só sei que sou assim. Não consigo ser diferente... ou indiferente?

* Esclarecendo: eu não penso assim, pois tenho a crença que eu posso ser ascendente de mim mesma. Compreende?

sexta-feira, março 10, 2006

Eu.

Minha banda favorita no palco.

Meu melhor amigo.

Minha melhor amiga.

Os dois sentados ao meu lado, chupando-se desesperadamente.

Eu dou duas tossidinhas.

Eles param, e quando toca outra música romântica, a chupagem recomeça.

Eu arrasto a cadeira, ruidosamente.

Mais chupadas.

Eu sinto o calor subindo ao rosto, e tento virar de costas (impossível em um teatro).

Eles cochicham e dão risadas sobre qualquer coisa interessante, e eu fico absolutamente só, sem conversar nada, sem poder comentar o show.

A chupação se intensifica.

Eu não aguento mais: cutuco o ombro de minha amiga, e faço pra ela o gesto de mãos postas, implorando. Movo os lábios de um jeito que apenas ela escute:

- POR FAVOR, PÁRA! PÁRA!

Depois de duas músicas, outro chupão. Todos os limites foram ultrapassados.

Perco as estribeiras, levanto de cara bem feia e arrastando a cadeira com bastante força.

Atravesso todo o teatro pisando duro.

Entro no banheiro e choro de raiva.

"O ciúme lançou sua flecha preta."

terça-feira, março 07, 2006

renascimento!

Bom, estamos todos em down... não nos apetece escrever e só a Mamy tem tido energia para postar qualquer coisa aqui...
Bom, como hoje quero acabar com o jejum vou falar-vos de um tema um pouco complicado e que pode suscitar polémica...
Por causa da imensa burocracia que existe em qualquer repartição pública, fui acusada, ontem, de ser desonesta!
A coisa que mais odeio é a INJUSTIÇA! Não as cometo, não deixo que as façam, e quando sou vítima de uma passo-me! Perco o controle! Completamente!
E pois é, fui vítima de injustiça! Passei-me ontem lá, passei-me hoje ao telefone quando me contaram que afinal eu não tinha razão, e que mesmo não tendo culpa, sou culpada!
É confuso, mas isto fez-me pensar o quanto odeio mesmo injustiças e como isso me faz sentir mal...
A burocracia é sempre igual em todo o lado, umas vezes sai-se beneficiada, outras prejudicadas.

Mas injustiçada... é das piores coisas que posso sentir!
E vocês, qual o sentimento que vocês mais odeiam?
Vira, viram, passei a bola para vocês, a ver se escrevem qualquer coisa também!

domingo, março 05, 2006

CRI... CRI... CRI... CRI...

Já vi blog abandonado, mas, igual a esse aqui... putz...