quinta-feira, setembro 28, 2006

A minha homenagem à Patrícia...







Penso em ti. Busco nas tuas acções o carinho de que preciso, de que tenho sede e fome. Lembro os teus olhos, doces da cor do café, recordo o calor do teu corpo, da tua voz...

Tenho saudades... saudades do toque meigo da tua boca sobre a minha face, saudades dos teus cabelos macios que penteio com os dedos bem devagar, para te sentir plenamente, totalmente...
Finjo rir para que as lágrimas não caiam... é difícil sorrir quando a vontade que tenho é de chorar, para explusar a dor que guardo cá dentro. Guardo-a silenciosamente, sem a mostrar, com receio de te perder. Pois se tu és dor, lágrimas, solidão, és também sol e céu, és o mar a lamber a areia, és a estrela que fixo no escuro Universo. És vida que me percorre, faca que me corta, sangue que me dá vigor... és Amor que magoa sem doer.

Patrícia Dias Alves, in Poiesis vol. III

terça-feira, setembro 26, 2006

PodCast ?!?

Olha gostaria de propor uma coisa nova...

O que vocês achariam de um PodCast aqui.. No Sotaques?!?

Podcasting é uma forma de publicação de programas de áudio, vídeo e/ou fotos pela Internet que permite aos utilizadores acompanhar a sua atualização.

Funciona da seguinte maneira:

Os programas ou arquivos, gravados em qualquer formato digital (MP3, AAC e OGG são os mais utilizados nos podcasts de áudio), ficam armazenados num servidor na internet. Por meio do feed RSS, que funciona como um índice atualizável dos arquivos disponíveis, novos programas de áudio, vídeo ou fotos são automaticamente puxados para o leitor através de um agregador, um programa ou página da internet que verifica os diversos feeds adicionados, reconhece os novos arquivos e os puxa de maneira automática para a máquina. Os arquivos podem ainda ser transferidos para leitores portáteis.

Minha ideia é:

Podíamos usando programas como o Skipe nos unir e faz um teste, combinar um dia que desse para todos e Conversar como tema do primeiro “O Sotaque”... (Super original minha idéia...).

Isso seria um teste... Se nós gostássemos poderíamos marcar de, por exemplo, uma vez por mês nos unirmos para discutir/comentar um tema.

Eu acho que seria interessante pelo menos fazermos este teste...

Estes são exemplos de PosCast legais da net:

JovemNerd

BrainStorm 9.

sábado, setembro 23, 2006

Blogueiro precisando de ajuda

Pessoal,

Aconteceu uma coisa bem chata com um amigo meu, o Brincher.

Gastar as economias de anos para comprar um terreno e construir um Brechó + loja de móveis.

Criar clientela.

Suar pra caramba pra levar a vida adiante sem dólar na cueca nem outro tipo de "ajuda", nada vindo de mão beijada.

Na vida da gente a gente sua, chora, ri e se esforça, mas o inesperado acontece.

E o inesperado aconteceu, de um jeito até mesmo agressivo.

Um incêndio destruiu toda a construção e os materiais de venda [roupa e móveis] foram COMPLETAMENTE PERDIDOS.

Ainda bem que ninguém se machucou, e os prejuízos foram apenas materiais.

Mas as coisas materiais fazem falta! E fazem mais falta ainda quando se trata do sustento de uma família empreendedora.

Então, vamos ao que interessa: eles precisam de cerca de quatro mil. O pessoal da UFSC fez uma rifa que vendeu bem, conseguiram 700 reais. Tem também uma ONG de Floripa ajudando. Mas reconstrução é uma coisa complicada e CARA.

Minha sugestão, simples: todo mundo deposita três reais na conta da mãe dele. Não vai deixar ninguém pobre, e nós somos tantos.

Então, clique AQUI pra entrar no blog do Brincher[pronuncia-se Brínker]. Vai aparecer uma página de redirecionamento do servidor. Clique no botãozinho sem medo, ou aguarde quinze segundos sem quebrar o monitor, leia o blog dele e deixe sua mensagem de apoio nos comentários.

Depois disso,SE PUDER E QUISER, CLARO, faça seu depósito na conta indicada.
Sério gente, três reais é a minha sugestão. Menos que um prato feito.
Se você quiser arredondar, deposita cinco. Ou dez. Ou vinte. Ou dezenove. Ou o que der.

Qualquer ajuda é ajuda.

sexta-feira, setembro 22, 2006

What the Bleep Do We Know?

O que sabemos sobre nós?

No começo só havia o vazio...
Transbordando com infinitas possibilidades...
Das quais você é uma...

Como nós podemos continuar a ver o mundo como real se nosso âmago que está determinado a ser real é intangível?

Quem somos?
De onde viemos?
O que devemos fazer?
E para onde vamos?

por que estamos aqui?
Essa é a pergunta elementar!

O que é realidade?
O que eu achava irreal hohe é para mim mais real do que coisas que achei reais, que agora acho que são irreais.

Todas as épocas e gerações têm suas próprias suposições.
O mundo é plano...
O mundo é redondo, etc...

Existem centenas de suposições que acreditamos ser verdades mas que podem ou não ser verdadeiras.

Claro que históricamente, na maioria dos casos não eram verdadeiras.
Se tomarmos a história como guia, podemos presumir que muitas coisas em que acreditamos sobre o mundo podem ser falsas.
Estamos presos à certos preceitos sem saber disso.
É um paradoxo.

É hora de ficar esperto.
Por que continuamos recriando a mesma realidade?
Por que continuamos tendo os mesmos relacionamentos?
Por que continuamos tendo os mesmos empregos repetidamente?
Nesse mar infinito de possibilidades que existem à nossa volta, por que continuamos recriando as mesmas realidades?
Não é incrível existirem opções e potênciais que desconhecemos?
É possível estarmos tão condicionados à nossa rotina, tão condicionados à forma como criam nossas vidas.
Que compramos a ideia de que não temos controle algum?
Fomos condicionados a crer que o mundo externo é mais real que o interno.
Na ciência moderna é justamente o contrário.
Ela diz que o que acontee dentro de nós é que vai criar o que acontece fora.
Então os cientistas se perguntam:
Quem vê os objetos, o cérebro ou os olhos?

Bem vindo à grande quadra de possibilidades intermináveis.
( Um menino joga a bola e que passa pelas mãos e bate no estomago ).
- Horrivel. Têm que acertar pelo menos uma! Diz o menino.
- Isso doeu! Responde a mulher.
- A bola não tocou em você.
- Tá bom.
- E não é solida. A maior arte dessa bola está vazia

De uma olhada em um atomo por exemplo.
Pensamos que é uma especie de bola sólida.
Mas na verdade.. É esse pontinho pequeno com matéria centro cercado por uma nuvem de elétrons que aparecem e desaparecem.
Mas acontece que tal descrição também não está correta. Até o núcleo, que pensavamos ser tão denso, aparece e desaparece assim como os elétrons.
A coisa mais sólida que pode existir nssa matéria desprovida de substância é mais um pensamento, um bit de informação concentrada.

- Como eu disse, você nunca tocou em nada. Diz o menino.

Os elétrons criam uma carga que afasta os outros eletrons antes do toque.

- Então.. Ninquem toca em nada... Continua o menino com expressão de simplicidade.

Essa exposição vem do Japão.
E o autor é o Sr. Missuro Imoto. Ele se interessou na estrutura molecular da água e o que a afeta.
Sendo a água o mais receptivo dos quatro elementos, O Sr. Imoto pensou que ela poderia responder a eventos não físicos.
Ele então realizou vários estudos onde aplicou estimulos mentais e os fotografou com um microscópio de anti-matéria.
A primeira foto é da água da represa Fujiwara (A imagem de um floco de neve distorcido) .
E essa foto é da mesma água após sido benzida por um monge zen-budista (A imagem de um floco de neve perfeito).
Nestas próximas séries de fotos, p Sr. Imoto imprimiu palavras e as colocou em garrafas de água destilada, deixando-as passar a noite assim.
Essa primeira foto mostra a água destilada em sua essência (A imagem de um tetraedo simples).
A foto a seguir como podem ver, é diferente. É o "Chi do amor" (A imagem de um floco de neve perfeito, mas numa forma diferente).
E aqui vocês podem ver a foto da palavra "Obrigado". (A imagem de um floco de neve perfeito, mas numa outra forma diferente).

A ciência de como isto afeta as moléculas é desconhecida.
Menos para as moléculas da água, claro.
E é fascinante se pensarmos que 90% do nosso corpo é composto de água.

Faz a gente pensar, não é?
Se pensamentos fazem isso com a água, imagine o que podem fazer conosco.

Se você acreditar com tudo seu ser que pode andar sobre a água, isso acontecerá.

No nível subnuclear mais profundo da nossa realidade, você e eu somos um só.

Como um homem ou uma mulher podem pecar contra algo tão supremo?
Como pode uma pequena unidade de carbono, na terra, na via láctea, trair Deus todo poderoso?
É impossivel.
O tamanho da arrogância é o tamanho do controle daqueles que criam a imagem de Deus de forma errada.
É hora de ficar esperto.

Hem? Não entendeu?

Aqui está o video de onde tirei este texto...
Só pra fritar um pouco as mentes ociosas.

segunda-feira, setembro 18, 2006

O lado humano anda cansado.

Sobre o post abaixo, Menina Prodigio diz:
"É que é uma merda, sabe, eu não gosto de parar pra pensar nisso. Não gosto de pensar nas vezes que eu digo "não tenho" e tô com vinte reais na carteira pra ir ao cinema, e não gosto de pensar nas vezes que na mesma parada de Ônibus que eu tinha um mendigo, sujo e com uma ferida assombrosa na perna, revirando o lixo e achando um salgado, e ai ele deu o salgado praquele cachorro que quase todo mendigo tem, e o cachorro comeu. Nâo gosto de pensar que todo mundo na parada fez dew conta que não viu o cara, e eu também, pois eu não sei o que fazer, não vou convidar pra ir pra minha casa tomar um banho, estou esperando o Ônibus pra ir ao trabalho, droga. Nâo gosto de sentir isso, que eu falo tanto de amor à humanidade e de desenvolvimento e geração de emprego e renda, nos meus textos, na minha prova da faculdade, e não gosto de pensar nos muitos reais que eu gasto com coisa fútil, nem de pensar na minha cama, nos meus sapatos e na comida e nos livros. Nâo gosto de pensar na esperança de futuro que eu tenho porque o dinheiro do meu pai e da minha mãe compraram pra mim quando eu era pequena. Isso tudo é muito complicado, eu não sei resolver e não posso ficar sem pensar nisso, e eu lembro quando eu tinha 15 anos e rezava antes de dormir, pedindo pra Deus tira o que eu tinha e dar pra quem não tinha, que eu topava o desafio. E eu não tenho mais coragem de topar esse desafio, entende? E por isso eu comentei daquele jeito estranho, porque sempre que eu começo a falar disso eu acabo dizendo "ô...ah!" e não sei mais nada nesse mundo. "
E ainda me dizem que já não existem humanos na humanidade.

domingo, setembro 17, 2006

Picadeiro

Dirigia o seu carro pelas ruas da já enegrecida Belém. O caminho, bem marcado na cabeça, não seria dificuldade: Almirante Barroso, larga e iluminada, a ciclovia no centro, José Malcher, por dentro do túnel formado pelas copas das mangueiras, Teatro da Paz, Assis de Vasconcelos, etc. Fácil.
O sinal vermelho o deteve e ele ainda nos seus pensamentos. O caminho, o que encontraria. O apartamento, o seu cão abanando o rabo, pensando em comida. Alimentar o cachorro, se alimentar, banho, cama. Coisa boa...
No sinal vermelho, meninos formando uma torre humana: um sobre as costas do outro, fazendo malabarismos com três pedaços de pau enfeitados com plástico. Abortado de seus pensamentos, presencia à força a cena. Sob qual força? Sente como se devesse ser platéia. "Se não pagarei com centavos, pagarei com atenção." Por quanto tempo será que aqueles meninos ensaiaram aquilo? Devem ter faltado a escola... Eles vão à escola?
A apresentação termina, contada no relógio regressivo do semáforo para pedestres. A mãozinha calejada e suja do menino, o que ficara por baixo na torre, bate na janela de seu carro. Por um instante o homem observa os outros carros... Tão protegidos quanto ele na segurança das películas importadas, não abrem as janelas. Carro após carro, cada menino tem o seu esforço ensaiado desperdiçado. No ônibus ao lado, alguns passageiros riem e imitam o movimento de malabarismo, outros dormem, outros ignoram.
"Ajudo?", pensa ele. "Podem realmente precisar... Podem estar sendo explorados sei lá por quem, e se eu der o dinheiro, vou estar estimulando. E se não der?" Ele podia inclusive imaginar as seções de ensaio... Em algum quintal de terra batida, eles insistentemente subindo um na costa do outro. Buscando o equilíbrio perfeito. Talvez assistidos por uma irmã menor de calcinha rosa e boneca descabelada (e sem uma perna, arracanda por um dos meninos) nas mãos, com um dos polegares na boca.
Eles se equilibrando, artistas, voadores, se esforçando para não derrubar as roupas do varal. Eles sonham com a quantidade de dinheiro que vão trazer para casa, o quanto surpreenderiam milhões com esse espetáculo! E dentre esses milhões, alguém que veria a enorme habilidade dos trapezistas, e os levariam para um circo de verdade! "Os irmãos voadores, para vocês!" Pessoas de todos os lugares viriam para ver! A irmãzinha, com uma boneca penteada e com as duas pernas, assistiria da primeira fila, com pipoca e algodão-doce, ao lado da mãe, que já não ralha por causa das roupas no varal. E os meninos riem, pois divertem e colorem o mundo! E fazem isso por alguns centavos. "Ajudo?"
O sinal abriu, e a mãozinha do grande trapezista ficou para trás.
Amirante Barroso, José Malcher... Já não é tão fácil assim.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Monstros no Peito

Não como você se sente sobre seus sentimentos. Eu sou descontrolado, confesso.
Nunca pude evitar cobiçar uma mulher bonita, nem solteira, nem casada, mesmo que essa passasse com um lindo bebê ao colo, ou estivesse com o companheiro ao lado. Parece canalhice dito assim, e muito provavelmente o é, mas nunca fui muito cavalheiro realmente.
Sou culpado de admirar tudo que é belo de forma extremista. Posso ficar horas sorrindo feito uma criança, apenas olhando para um pequeníssimo detalhe interessante no rosto de alguém, ou passar horas contemplando o horizonte sem pensar em nada. Cada momento é especial de certa forma, sabe? E cada beleza é uma imagem totalmente diversa que talvez nunca a venha a se repetir.
Já fui acusado de ser galanteador; uma menina certa vez tocou “Faz parte do meu show” de Cazuza num lual em minha homenagem, dizendo que esta música era a melhor representação da minha alma e coração. Escutem a música, realmente faz sentido. No entanto nunca fui um conquistador, na verdade sempre foi o contrário, sempre fui tímido e tacanho, achava que qualquer coisa era mais bonita que meu rosto, qualquer coisa mesmo, por isso então ela e tantas outras me chamavam de conquistador, pois como eu não me achava lá muito belo, e qualquer mulher que se interessasse por mim seria tratada como um a princesa, porque elas estavam me fazendo uma caridade. É, era isso mesmo, eu as beijava com tanto ardor e paixão que elas se sentiam especiais, e eu me sentia grato.
Essa também é a razão dos meus períodos de infidelidade, aliás, acho até que é a explicação geral para toda infidelidade, eu sou inseguro, preciso me alto afirmar conquistando o maior número de corações possíveis, e depois os abandonando antes que o façam comigo. Triste, mas verdade. Preciso de um analista para resolver isso.
Sou apaixonado e ciumento com meus amigos, e qualquer pessoa que conheço a mais de cinco minutos e tive uma conversa agradável, é meu amigo. Faz parte do meu amor pela beleza; acho a amizade insuportavelmente bela. Tem coisa melhor que passar a tarde de domingo em churrasco com os amigos? Ficar falando baboseira e rindo um da cara do outro? Momentos únicos e belos. Posso passar um bom tempo sem alguém, mas não agüento muito tempo sem um amigo.
A beleza não está só nas coisas, está nos momentos, nas ações, na voz. Amo então a vida muito, e peço desculpas a todos os corações que machuquei por ser tão apaixonado.
Sinto muito.

Obs.: Te amo Mamy, também, e acho você lindíssima, apesar de nunca tê-la visto. Você Mamy, eu amo de graça.

terça-feira, setembro 12, 2006

09/11

Há 5 anos estava a preparar-me para ir de viagem. Preparava-me para a maior viagem da minha vida. No momento não notei nada de especial, não vi grandes alterações na minha vidinha, aqui na minha cidade. Para onde fui...
No aeroporto a despedida foi à porta, a falar com os meus pais pelo telemóvel, com um vidro a separar-nos. À chegada a Berlin, e visto lá ter passado grande parte do dia à espera, senti os polícias a vigiarem-me, acho que só descansaram quando me viram falar português ao telefone com os meus pais.
Durante o meu tempo lá notei que todos parecíamos ser vigiados, polícia nos sítios mais importantes, consulados com demasiada escolta, ruas cortadas com carros blindados, nunca tinha visto tanques de guerra, metralhadoras, sabem aquelas zonas com sacos e metralhadoras que só se veem em filmes? Assim estava toda a rua da Embaixada dos E.U.A.. Nos meus passeios por Berlim notava que as coisas estavam diferentes, mas como eu estava isolada, raramente lia as notícias, não via televisão, acho que há coisas que me passaram ao lado, há pormenores que só depois de os ver, agora, mostram-me quão monstruoso foi o que aconteceu.
Não sei como alguém se pode regozijar de ter feito o que fez. Não entendo a violência, não entendo a matança de pessoas que não têm nada a ver, que apenas estavam a trabalhar!
Há 5 anos ouvi dizer que ainda bem que ainda não eram 9horas... senão aí tinham morrido mais pessoas.. Desapareceram 3000! 3000! Há quem ainda não tenha um corpo para chorar, para enterrar, para encerrar o assunto. Há quem espere.

Há 4 anos andava tão atarefada com o meu estágio que quase me passou ao lado, não parei para pensar no que tinha acontecido.

Há 3 anos a saudade de Berlim bateu.

Há 2 anos a saudade de Berlim bateu forte. Nesta altura o que me segurou foi a doença da minha mãe. Acho que teria mesmo voltado para lá. Quem sabe se a minha vida seria diferente. Não me arrependo. A vida é mesmo feito de escolhas.

Há um ano resignei-me que o meu tempo em Berlim já passou.

Este ano... este ano voltei a pensar em Berlim. Este ano a Patrícia morreu. Depois de saber não pensei mais no 09/11 nem em Berlim.
A Patrícia tinha menos dois anos que eu. Não éramos amigas, fomos colegas de curso e é muito estranho morrer alguém com quem estudámos, rimos, trabalhámos. Não fomos próximas. Fomos colegas. Em Maio encontrei-a na cidade onde ela morava e tínhamos estudado. Disse-me que estava feliz, que estudava o que gostava e lhe pagavam para isso. E mais! A bolsa de doutoramento ainda lhe permitia viajar por onde ela gostava. Estava feliz. É isso que me consola.

Há 2 dias a Patrícia morreu.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Guia do Mochileiro de Manaus

Então você aceitou ir para Manaus passar um fim de semana com o seu amor? Está indo fazer isso pela segunda vez e sabe o quanto, mesmo sendo por pouco tempo (e mesmo valendo completamente a pena), isso dá gasto de dinheiro? Então siga esse guia!

LIÇÂO 1: O Aeroporto

Bom, ao menos que você tenha escolhido ir de barco (viagem barata, mas desconfortável e não muito segura... Quatro dias para chegar à capital amazonense saindo de Belém), o primeiro lugar no qual você vai pisar em Manaus é no aeroporto. Há apenas um ônibus urbano (preço da passagem: R$1,80 de segunda a sábado, R$1,00 aos domingos) que atende o aeroporto: o 306, que vai te levar ao centro (lembre-se dessa palavrinha... ela se refere a um lugar muito importante, do qual voltaremos a falar logo). Caso você tenha chegado de manhã, pegue o 306 e seja feliz, seguindo para a LIÇÃO 2. Caso seja de madrugada, não recomendo o caminho do ônibus urbano. Espere um amigo lhe buscar. Caso não haja um amigo que lhe busque, é melhor dormir no aeroporto.
Por que dormir no aeroporto? Lembre-se, você é um mochileiro sem dinheiro! O táxi para qualquer parte de Manaus custa cerca de R$ 50,00.

LIÇÃO 1.1: Dormindo no aeroporto

Escolheu dormir, né? Tá ok, “dormir”... Bom, os banheiros não lhe oferecem a opção de tomar banho, obviamente. Mas as pias são grandes, você pode se aventurar em um banho de gato, colocando a sua mochila sobre o balcão (ou você trouxe mais alguma coisa? Que espécie de mochileiro você é?).
Tome o seu “banho”, escove os dentes, e arrume coisas para passar o tempo. No saguão do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes você vai encontrar: loja de artesanatos (muito bonitos, bonitos mesmo), stands de produtos diversos (como os maravilhosos Licores Doces, feitos pelo amigo dela), etc. Coisas bacanas para ver, mas um problema: para comer, só há coisa cara, do Bob’s ou da Casa do pão de Queijo. Entendeu por que eu te sugeri escovar os dentes antes, né? Mas é claro, você pode ter guardado aquela barrinha de cereal do avião. Coma ela aos pouquinhos.
Resolveu dormir? Primeiramente, só há três opções de assento: cadeiras de metal, banquinhos de madeira altos e poltronas marrons. Se você quer dormir mesmo, escolha as poltronas marrons, mas todas elas têm braços, você não vai poder se esticar. Mas há mesinhas pretas, onde você pode colocar o pé em cima, e encoste a cabeça na sua mochila (Santa Mochila...). Você vai sentar perto das televisões, mas esqueça, elas estarão desligadas. Prepare-se para ser abordado por alguém que vai te pedir uma ajuda de R$10,00 para um hospital em troca de um adesivo e um broche (se você realmente for mochileiro, quem precisa de ajuda é você... se quiser, faça sua carinha de pidão e diga que não pode ajudar, que quem sabe a mocinha do hospital se compadeça e te ajude...). E aproveite a sua noite...
Ei, alguém apareceu de surpresa para te pegar no aeroporto? Que alegria! Vamos ao centro...

LIÇÃO 2: O Centro

Independentemente de que horas você chegar aqui, saiba duas coisas: primeiro, o centro tem MUITOS hotéis baratos! De todos os preços e qualidades. Quer uma boa vista? Sugiro o Opção (diária R$50,00, pernoite R$ 30,00), quarto 206. É o ÚNICO de Manaus com vista para o Teatro Amazonas (LINDO, LINDO, MUITO LINDO MESMO! Mais detalhes logo). Quer café da manhã? Sugiro o Minas (Pernoite R$35,00, café incluso!), que fica na frente do T1 (outro local importantíssimo. Detalhes na próxima lição). Como são muitos os hotéis, Mochileiro, não leve nem toalha nem lençol! Vai ter nos locais onde você se hospedar. Segunda coisa sobre o Centro: a grande maioria dos ônibus de Manaus passa por aqui. Mas não é simplesmente pelo bairro do Centro, mas por uma Rua do Centro: Epaminondas. Saiba onde fica a parada do Colégio Militar como se sua vida dependesse disso, e aos poucos vá decorando o número dos ônibus.
Aqui vem o grande mérito de sua mochila. Você vai sair do hotel? Leve a sua mochila com você! Para que pagar um lugar para guardar apenas as suas roupas?
Ok, chegamos a Manaus, chegamos ao centro, estamos instalados. Vá encontrar os seus amigos, vá se divertir! E uma regra importante: ANOTE TUDO! Anote o número dos ônibus, o nome das ruas, bairros, telefones... E é claro, caso você se perca, sempre pode perguntar onde pegar um ônibus para o Centro. Segunda regra importante: NÃO TENHA VERGONHA DE PERGUNTAR! Aquela máxima, de quem tem boca vai a Roma, é verdade.

LIÇÃO 2.1: T1, T2, T3...

Uma grande lição acerca do transporte urbano de Manaus que vai poupar o seu dinheiro, Mochileiro. Os terminais de integração, que permitem que você desça neles e pegue outro ônibus, sem pegar outra passagem. Tem locais de Manaus que, para chegar neles, dependendo de onde você sair, inevitavelmente vai ter que ir para alguns dos terminais, chamados de T1, T2, T3, T4 e T5. Por alguns deles você nem vai precisar passar, ainda mais em apenas um fim de semana, mas o mais importante é o T1, que fica no Centro. Perdido e quer ir ao Centro, que você já conhece? Pegue algum ônibus onde está escrito T1 e seja feliz.

LIÇÃO 3: Coisas para se fazer

Ei, não me diga que você foi só namorar e vai se trancar em algum lugar com o seu amor até dar a hora de ir para o aeroporto novamente? Por mais atraente que essa idéia pareça, Manaus tem muitas coisas legais para se fazer! Dê uma olhada na cidade, vai saber quando você vai voltar a ela?

LIÇÃO 3.1: Para quem quer conhecer a produção de ciência

Universidade? INPA? Sem problemas! Um fica na frente do outro! (Tá bom, não exatamente na frente, mas se você veio até aqui com uma mochila nas costas, por que não andar um pouquinho?).
Do Centro você pode pegar o 125 (passa no T1) ou o 616, que entram na UFAM. Tá sem saco de esperar? Pegue qualquer ônibus que passe na Bola do Coroado, vá andando para o INPA ou, se o seu objetivo é a UFAM, espere na primeira parada da General Rodrigo Otávio pelo Integração (ônibus da UFAM que é de GRAÇA!!). Ou pegue um ônibus que vá para a General Rodrigo Otávio e desça na frente da UFAM. Entre e espere na primeira parada, que lá os demais ônibus serão de graça também. Ê coisa boa!
Quer ir andando UFAM adentro? Não recomendo, uma vez que é a maior reserva florestal urbana do país... É floresta mesmo! E as coisas não são perto... Espere o ônibus, é melhor.

LIÇÃO 3.2: Vida Cultural

A vida cultural de Manaus é fantástica! Ao redor do Teatro Amazonas (que é majestoso) fica o Largo de São Sebastião. Um lugar extremamente agradável e seguro a qualquer hora do dia (você pode deitar na frente do teatro a uma da manhã sem ser incomodado, veja só!), que nos domingos a noite tem várias coisas: teatro, música, dança, contadores de historias, brinquedos... Um lugar muito gostoso.
E o que fazer domingo de manhã? A rua que passa atrás do Teatro, a Eduardo Ribeiro, é fechada até o meio-dia e nela funciona uma feira com comidas, artesanatos, livros, CDs, artistas, etc.
Mais uma regra: NÃO SAIA DE MANAUS SEM PROVAR X-CABOQUINHO (pão com queijo coalho e tucumã)!! É delicioso, você não vai se arrepender.
Têm outros espaços na cidade, como o Teatro Chaminé (infelizmente não sei como chegar lá de ônibus) e casas de cultura ao redor do Centro.
Sugiro fortemente o Botequim, que fica a dois quarteirões do Teatro, na Rua Barroso. Lugar com boa música, aconchegante e divertido. Vá com uma boa companhia e se divirta!

LIÇÃO 4: O Teatro Amazonas

Não há crime maior do que ir a Manaus e não ver esse prédio majestoso, que eu carinhosamente chamo de “Bonito”.
Ele é bem fácil de achar, fica no centro. Arquitetura clássica com uma cúpula em verde e amarelo, no maravilhoso espaço do Largo de São Sebastião e na frente do Monumento de Abertura dos Portos. Se você estiver por aqui em abril vai poder acompanhar o Festival de Ópera, que vale muito a pena.
Visitas guiadas custam R$10,00, mas o que você tem que fazer mesmo é assistir a um espetáculo. E, quando entrar, olhe o teto. Regra: OLHE O TETO! Não vou contar mais, quero atiçar a sua curiosidade!
Preste atenção em todos os detalhes do teatro, as suas cores, as suas curvas, os seus desenhos... Como parece que ele foi colocado cuidadosamente em um pedestal, e a cúpula encaixada com carinho para proteger e enfeitar o Bonito. Veja tanto os detalhes externos quanto internos, toque, sinta a história pulsar pelas suas paredes e contornos...

LIÇÃO 5: Aos Mochileiros Paraenses

Caro Mochileiro, se você for paraense, uma dica particular. Para quem não sabe, no Amazonas há piadas e anedotas de paraense e, até certo nível, preconceito também. Muitas vezes não passa de brincadeira, assim como se tem nacionalmente com gaúchos e baianos, então não esquente a cabeça. Leve na brincadeira também e curta sua estadia. Mas é claro, nunca sabemos que tipo de loucos vamos achar em qualquer lugar, que toma “paraense” como insulto. Então, é bom tomar cuidado.
E o sotaque paraense salta aos ouvidos amazonenses.

LIÇÃO 6: Notas diversas

Quer ver mais coisas em Manaus? Ainda tem a Praia da Ponta Negra (do centro, pegue o 120), que tem uma orla bonita, bares e tudo o mais que uma boa praia tem. Há o Zoológico do CIGS, o Parque do Mindú, o Bosque da Ciência, no INPA (esse último, em particular, vale muito a pena, pois você pode ver um peixe boi bem na sua frente, é lindo!).
Prepare-se para MUITO CALOR! Dependendo da época do ano, pode ser que você nem chegue a pegar menos de 40 graus. Então, caro Mochileiro, nem precisa se preocupar em levar roupas para frio!

E é isso que eu tenho a dizer para vocês. Peço aos leitores amazonenses que acrescentem o que eu porventura tenha esquecido ou alterem o que talvez eu tenha errado.
Aos leitores que ainda não conhecem Manaus, vale muito a pena. Cidade linda com pessoas fantásticas.
Às pessoas fantásticas que conheço e moram em Manaus, saudades. Logo eu volto.

Refletindo

"É muito fácil amar a 'humanidade'. Eu quero ver você amar as pessoas de verdade! As pessoas que têm cheiro, que têm cor, que andam, que fazem tudo errado! Desses, você não consegue nem chegar perto, quanto mais amar!"

Hilda Furacão, na série de TV homônima escrita por Glória Perez e dirigida por Wolf Maya.

Escutei isso e foi uma cacetada. Bom fim de semana.